Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2015

Agridoce - Capítulo 4

As portas do elevador se abriram. Ela colocou sua mão em minhas costas e foi me guiando até a saída. Passamos pelo o porteiro que estavam com um olhar espantado. Deveria ter visto a confusão pelas as câmeras de segurança.


- Está tudo bem? – ele perguntou sem jeito.

- Claro – ela respondeu sorrindo – elas já se desculparam e eu estou a levando para casa. Você sabe como é né... Duas mulheres de TPM se estranhando.

Ele acionou o botão que destravou a porta da entrada principal.

- Escute aqui. Todos nós passamos por situações difíceis. Eu sei que é difícil para você se abrir agora, mas não ignore suas emoções. É bem melhor você desabafar comigo do que descarregar tudo em uma adolescentezinha mimada.

Não contive o riso. Ela percebeu e esboçou mais alegria ainda.

- Obrigada – foi única palavra que consegui dizer naquele momento.

- Volte quando estiver preparada.

O estacionamento do prédio ficava bem em frente a porta principal. O que eu achava estranho no começo porque estava acostumada a deixar me…

Agridoce - Capítulo 3

- Imagina só que cena lastimável. Eu, no corredor discutindo com a Letícia como se fôssemos duas garotas de 15 anos brigando no pátio de um colégio. O pior de tudo era ver a cara de todos, mais uma vez, me chamando mentalmente de bruxa. Hoje, com certeza foi um péssimo dia. – Falei tudo isso deitada em um divã na sala da minha terapeuta. 

A maior parte do tempo eu encarava o teto, o que me irritava as vezes. Sempre preferi conversar olhando nos olhos, mas ela me garantia que era melhor assim.

O consultório era agradável, bem decorado, tinha umas plantas médias que eu não conhecia em vasos lindos. Tudo era impecável: as cortinas, a mesa e a sala era tão iluminadas que eu parecia estar no céu. Um falso céu porque minha vida estava um verdadeiro inferno.

- E então Lúcia? Não vai dizer nada? – ela era baixa, tinha cabelos curtos e usava óculos quadrado enorme para o rosto dela. Sua voz era serena. Até demais. Isso me irritava.

- O que você quer que eu diga?

- Alguma coisa – sentei-me no móvel …