Desejos Ocultos Parte II






Droga, precisava me controlar senão, botava tudo a perder.

- Não adianta disfarçar, eu sabia desde quando você começou a trabalhar aqui. - ele sorria sarcasticamente.

- Mas que Porra! O fato de você ser meu chefe não te dá o direito de me tratar assim. - tentei encenar.

- Você não acha que isso torna tudo mais interessante? Hein? - Ele se aproximou novamente, me testava de todas maneiras e eu, tentava resistir. Mas minha respiração não deixava. Ele sabia que eu estava nervoso.

Virei em direção à porta, aquela conversa não teria futuro mesmo. Ele me puxou pelo braço com força.

- Hei, espera!

Soltei com um tranco.

- Dá para tirar as mãos de mim?!

- Qual é o problema? Você não era assim com o “Gato Selvagem”...

Puta que Pariu. Ele realmente sabia de tudo, mas como?

- Você tá louco?! - comecei a gritar – Olha eu vou esquecer que você é meu chefe e...

- E o quê? - ele ficou em minha frente, bloqueando minha passagem – Vai foder comigo também? Eu adoraria...

- Chega! Isso já foi longe demais!

- Saiba que eu posso foder muito mais com a sua vida. Sabe por quê? O nosso Gatinho Selvagem é um excelente fotógrafo. E acho que sua mulher e todos o funcionários da empresa iriam apreciar muito o trabalho de vocês.

Sim, Eu saia com o Gato Selvagem, bem antes de namorar a Adriana. Você já deve ter imaginado como começou. Mas eu coloquei um fim nisso bem antes de conhecê-la. Era casual. Sem compromisso. Não sabia que ele tirava fotos com quem ele saía e, muito menos que era tão íntimo do meu chefe.

- Prova – blefei.

- Com o maior prazer – ele foi até o computador e abriu as fotos. Fiquei sem reação. Igor era o seu nome. Moreno, estatura média, tinha o corpo malhado era pelo menos uns 5 anos mais novo que eu. E tinha mais um detalhe, era irmão do meu melhor amigo.

Abaixei a cabeça, meus argumentos se esgotaram.

Ele se aproximou de mim já me beijando. De certa forma ele sabia que estava lutando para resistir aquilo.

- Bom garoto – ele falava com uma intensa respiração. Já sentia suas mãos passando por baixo da minha roupa social. Ele sabia o que queria. Foi abrindo minha camisa, com pressa e ia beijando cada centímetro do meu tórax. E eu continuava imóvel.

- Faz essa droga direito! Ou vai querer que posto tudo isso na internet? - ele apertou ainda mais nossos corpos.

Quer saber? Foda-se. Eu quero sentir essa sensação, é só sexo. É só mais uma aventura, uma forma de sair daquele tédio. Daquela vida monótona. Descarreguei toda a minha tensão nele.

Dessa vez, também fui com vontade. Queria vê-lo, explorar o seu corpo. Assim, continuamos com cada vez mais apetite. Eu o beijava, chupava e o fazia se contorcer de prazer, ele fazia o mesmo. Era isso que eu buscava, aquela sensação de entrega. Ele tinha atitude, estava disposto a me satisfazer então foi nisso que eu me agarrei.

Quando me vi, estávamos nu, em cima da mesa. Era arriscado, diferente, tinha adrenalina. No escritório, nosso ambiente de trabalho.

Ele me tomou por trás, foi descendo a mão. Colocou a camisinha. Já podia senti-lo em mim. Não continha os gemidos e isso o fazia ir mais rápido. Confesso que havia tempo que não fazia aquilo. Realmente nunca esqueceria daquela noite. Chegamos em nosso clímax e ali explodimos de prazer. Não falamos nada, nos vestimos, recuperamos as forças e tomamos nosso rumo.

Cheguei em casa. Não nos despedimos, cada um foi para o seu canto. Ele deveria ter uma família, usava aliança. 

Abri a porta e subi para o quarto, precisava tomar um banho. As imagens daquele ato ainda passavam nítidas em minha mente. Já era 9 horas, não vi Adriana lá, nem na sala. Estranho. Fui na cozinha e nada. Na sala de jantar foi onde a encontrei e tive um choque. Ela, dormindo sobre a mesa preparada com um jantar à luz de velas. Meu Deus! 

Havia me esquecido. A surpresa.

Foi aí que percebi. Isso foi um erro, essa grande noite poderia ter sido com ela. Poderia ter sido diferente. Eu deveria ter dito não. Mas deixei o desejo me tomar, fui fraco. Eu nunca seria tratado assim por ele, era apenas sexo. Tínhamos uma vida, uma relação. Merda, isso tem que parar.

Peguei-a no colo e levei-a para o quarto. Ela estava exausta, ainda bem que não me viu entrar. Ganharia mais tempo para inventar uma mentira. Dormi na sala, com certeza não conseguiria encará-la, mesmo dormindo.

Acordei, a mesa já estava desfeita. Era 9 da manhã. Ela estava na sala assistindo TV. Beijei-a.

- Desculpe, eu estraguei a surpresa – ela me falou sem graça.

- A culpa foi minha que vivo ocupado.

- Somos nós, que vivemos ocupados para nós mesmos – ela subiu em meu colo e me beijou com vontade – Da próxima vez vai dar certo.

Tomara que dê mesmo, pensei. Ela levantou e foi fazer café.

Passamos o final de semana frio, ninguém quis forçar a barra. Minha consciência me fazia lembrar do acontecido a todo momento. Realmente, eu não a merecia.

Segunda-feira, no trabalho eu ainda estava tenso. Ainda não sabia se tinha mais pessoas envolvidas naquilo, era como se fosse uma bomba prestes a explodir.

Entrei rapidamente em minha sala, rezava para não esbarrar com aquele cara. Mas logo apareceu várias tarefas para fazer e fui me distraindo. Horas depois, decidi ir na cozinha tomar café, estava vazia. Sentei à mesa, me concentrei no copo. Fiquei bons minutos ali, até tomar conta que minha culpa não se afogaria em um copinho de café.
Deixei meu copo na pia, nesse instante senti uma mão em minha bunda. Virei e num reflexo empurrei com força.

- Que isso mano? Calma, é só zuera – era o Fernando. Menos mal.

- Por que essa tensão toda? - ele tocou meu ombro.

- Você não vai querer saber – respondi instintivamente.

- Claro que vou, sou seu amigo – olhou me fixamente.

- Com certeza, você não vai querer ser mais meu amigo.

- Vixe, já vi que a coisa é séria.

- Você nem imagina.

- Vou passar na sua casa hoje à noite, pode ser?

- Melhor não. O cli...

- Beleza, depois do expediente – ele me interrompeu, como sempre.

Não respondi. Nesse momento, Otávio entrou na sala já me encarando. Olhei para o Fernando mas ele não entendeu o que estava acontecendo.

- E aí? Vocês estão sentindo dor? - ele me não tirou os olhos de mim – de cabeça?

- Não, por que? - respondi alto e encarando também.

- Não, porque vocês vivem tomando café. Imaginei que estivessem de ressaca. O final de semana deve ter sido ótimo, não?

Quando pensei em responder, Fernando me puxou para fora da cozinha, ele sabia que estava ficando nervoso.

- Hei, ele é seu chefe! - cochichou.

- Foda-se.

Fui para minha sala.

Quase no fim do dia, estava preparando minhas coisas para ir embora. Andei em direção à saída e me deparei com Otávio novamente.

- Mas que droga! Vai me perseguir até quando?

- Eu pensei que você iria querer fazer mais hora extra hoje.

- Sai da minha frente – ele bloqueava meu caminho.

- Eu deixo você me comer hoje – sorriu com deboche.

- Escuta bem – eu o agarro pelo o colarinho – Isso termina por aqui.

- Nossa você sabe ser dominador hein – ele queria me provocar.

- Isso foi um erro e já basta – falei, com raiva.

- Nossa você tem consciência? Legal, não usou ela quando eu estava te fodendo – ele me empurrou tão forte que eu bati com as costas na parede.

- Talvez eu deva refrescar a sua memória.

- Foda-se! - já gritava – Quer postar, posta. Seu verme, seu merda! - quando eu fui partir para cima dele, Fernando chegou.

- Tudo bem aqui pessoal?

- Eu estou ótimo – Otávio disse e saiu andando rapidamente.

- Vamos parar num barzinho e conversar – Fernando me chamou – e sem desculpas.
Fui com ele. Era 6 e 40 da noite.

- E aí? Vai me contar?

- Por favor Fernando, agora não.

A garçonete trouxe o cardápio.

- Vão pedir algo?

- Só cerveja por favor – ele a respondeu.

Assim que ela saiu, retomou.

- Não vou forçar a barra, mas tu sabe que pode contar comigo não é?

- Eu sei.

Ficamos um tempo ali, em silêncio. Apenas tomando umas. Eu não tinha saco para desabafar e também não queria chegar em casa tarde.

- Mesmo assim, valeu pela a companhia.

Ele sorriu com simpatia.

- Só me responde uma coisa.

- O quê?

- O Otávio está metido nisso, não é?

Eu fiz que sim com a cabeça. Ele olhou para mim em desaprovação.
Fomos embora, ele insistiu em me acompanhar até a minha casa. Realmente, Fernando era um bom amigo. Como eu pude colocar tudo a perder? 

Cheguei na porta de casa e tinha um carro parado lá. Já era 8 horas.

Fernando desceu do carro dele e eu desci do meu.

- Parece o carro do Otávio.

Parecia mesmo. Droga, não acredito que aquele desgraçado estava ali. Entrei desesperado e confirmei o que vi. Estava ele e minha mulher sentados na sala.

- Oi amor, que bom você chegou. Precisamos conversar.



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